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domingo, 2 de julho de 2017

Igualdade salarial no ramo metalúrgico só acontecerá em 74 anos, revela Dieese

DIA DAS MULHERES
Quarta-feira, 08 de Março de 2017 
Assessoria da CNM/CUT

858, imprensa, CNM/CUT
A remuneração média mensal das mulheres é R$ 868,28 menor que a dos homens




A persistir os atuais mecanismos de remuneração de homens e mulheres da categoria metalúrgica no Brasil, a histórica reivindicação de igualdade salarial só vai acontecer em 2091, ou seja, daqui a 74 anos.

É o que revela o estudo “A Inserção das Mulheres no Ramo Metalúrgico: uma década de avanços, desigualdades e lutas”, elaborado pela Subseção do Dieese da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) e da Federação Estadual dos Metalúrgicos da CUT/SP (FEM-CUT/SP).

Divulgado nesta quarta-feira (8), Dia Internacional da Mulher, o levantamento comparou os níveis de emprego e salário das trabalhadoras metalúrgicas em 2006 e 2015 (último ano com dados disponibilizados pelo Ministério do Trabalho).
De acordo com o estudo, embora tenha caído, a diferença salarial entre homens e mulheres da categoria ficou em 25,3% em 2015 (em 2006, era de 28,18%). Isso significa que, ao se levar em conta o salário médio mensal por gênero, as metalúrgicas trabalham 92 dias de graça ao ano (a remuneração média mensal delas é R$ 868,28 menor que a dos homens).

“O que acontece com as mulheres na nossa categoria mostra que o mercado de trabalho ainda é perverso e discrimina. Elas têm a mesma jornada nas fábricas que os homens, ganham menos e ainda trabalham mais em casa”, assinala Marli Melo, secretária de Mulheres da CNM/CUT.

Ela lembra que, no geral, as mulheres trabalham 5,4 horas a mais na semana que os homens, com os afazeres domésticos e o cuidado com a família. “Não bastasse essa realidade, agora o governo golpista quer aumentar a idade da aposentadoria das mulheres de 60 para 65 anos”, ressalta a sindicalista, referindo-se à reforma da Previdência enviada por Michel Temer ao Congresso.

Ainda sobre o impacto da reforma sobre as trabalhadoras, Marli lembra que as mulheres são as mais afetadas pelo desemprego (o que as afasta do mercado de trabalho e, portanto, de períodos de contribuição previdenciária) e também acabam recebendo proventos menores que os dos homens na aposentadoria. “Por isso, nossa luta contra essa reforma tem de crescer cada dia mais”, completa.

Presença feminina na categoria
O levantamento da Subseção do Dieese aponta que em dezembro 2015, dos 2.061.368 postos de trabalho no ramo, menos de um quinto eram de mulheres (387.725), segundo os dados apurados junto à Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) do Ministério do Trabalho (MT). Em percentuais, as metalúrgicas ocupam 18,8% dos empregos no ramo. Em relação a 2006, houve crescimento de 3,3% da presença feminina no ramo.
Desemprego e rotatividade
O estudo revela ainda que o impacto da crise político-econômico é maior entre as trabalhadoras. Do total de desempregados no país em dezembro de 2015, as mulheres representavam 54,1%.
O Dieese avalia também o impacto da rotatividade de mão de obra sobre a remuneração de homens e mulheres na indústria metalúrgica. Prática comum do empresariado para rebaixar salários, em vários segmentos do ramo as mulheres são mais prejudicadas nesta situação. “Em relação aos segmentos, as maiores diferenças entre o salário dos admitidos estão no automotivo e eletroeletrônico: as mulheres entram ganhando em média 18,9% e 18,2%, respectivamente, a menos que os homens, lembrando que elas estão concentradas no segmento eletroeletrônico (32,41% delas estão nesse segmento)”, diz o estudo.
Nas demissões, o levantamento comprova a diferença salarial: “No caso, observa-se que mesmo tendo igual tempo de ‘casa’, as mulheres saem com salários inferiores ao dos homens. Ou seja, isso mostra que elas não conseguem atingir o mesmo salário que os homens, com o mesmo tempo de serviço. A diferença existe para qualquer faixa, chegando a 24,2% para trabalhadores e trabalhadoras com 3 a 5 anos de tempo de serviço”.

Subsídios
Para a secretária de Mulheres da Confederação, o estudo da Subseção do Dieese é um importante instrumento para a ação sindical da categoria metalúrgica. “Ele traz parâmetros concretos para nossa luta contra a desigualdade salarial e por oportunidades no mercado de trabalho. Traz também subsídios para a nossa luta contra a reforma da Previdência e por políticas públicas que de fato contribuam e estimulem a equidade de gênero no Brasil”, conclui Marli Melo.
O estudo completo “A Inserção das Mulheres no Ramo Metalúrgico: uma década de avanços, desigualdades e lutas” pode ser acessado aqui.

Disponível em: https://www.smetal.org.br/imprensa/igualdade-salarial-no-ramo-metalurgico-so-acontecera-em-74-anos-revela-dieese/20170308-114852-m574

Metalúrgicos do ABC recuperam 23% dos empregos perdidos nos anos 90

QUI, 10 DE ABR / 2008

Depois de perder quase a metade dos postos de trabalho, os metalúrgicos conseguiram recuperar 18.150 vagas no ABC entre os anos de 2003 e 2007. Hoje, ela passa de 95 mil metalúrgicos
O crescimento da economia fez com que a nossa categoria conseguisse recuperar 18.150 postos de trabalho entre os anos de 2003 e 2007.
Em dezembro do ano passado a base tinha 95.597 trabalhadores, enquanto que no início do governo Lula, em 2003, eram 77.427 metalúrgicos. Esses números se referem a atual base, composta pelas cidades de São Bernardo, Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra.
Estudo da Subseção Dieese do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC mostra que a abertura destrambelhada da economia nacional, junto com a adoção das políticas neoliberais que marcaram a década passada, provocaram um rombo sem precedentes no nível de emprego na categoria.
Em 1989, ano que a globalização começa a ganhar forma no Brasil, eram 159.200 metalúrgicos empregados nas empresas das quatro cidades. O governo FHC entregou a categoria ao seu sucessor com 77.427 empregos, ou seja, menos da metade (50,5% menor), o nível mais baixo desde o início dos anos 60.
"Em 2003, os efeitos de todo o arranjo neoliberal que veio desde o governo Collor ainda eram sentidos no nível de emprego. O quadro só volta a mostrar recuperação no momento em que a economia começa a ganhar nova dinâmica, após o segundo semestre de 2003", compara a economista Zeíra Camargo, técnica da Subseção, responsável pelo levantamento.
12 meses - Somente no último ano a categoria aumentou 5,5%, o que representa mais 4.985 novos postos de trabalho. Destes, 848 foram ocupados por mulheres.
"Os números mostram a diferença de tratamento dispensado ao ABC entre o atual governo e o passado. Por estarmos numa região fortemente industrializada sentimos muito o golpe das políticas neoliberais", resumiu Rafael Marques, secretário-geral do Sindicato. Para ele, o estímulo ao investimento produtivo dado pela atual política econômica começa a reverter a situação.
Em todo ABC base caiu mais da metade
A política neoliberal dos anos 90 foi muito mais cruel para os metalúrgicos considerando a categoria nas sete cidades da região.
Em 1989, eram 220 mil metalúrgicos em todo ABC.
No ano de 2002 eram pouco mais 96 mil. Segundo o levantamento da Subseção Dieese, em dezembro passado o número subiu para 132.232 trabalhadores.
As tabelas consideram as cidades de São Bernardo, Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra.
Fonte: Subseção Dieese, com base na Rais/Caged do Ministério do Trabalho.

Disponível em: http://www.cnmcut.org.br/conteudo/metalurgicos-do-abc-recuperam-23-dos-empregos-perdidos-nos-anos-90

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Setor automotivo quer flexibilidade de leis trabalhistas para evitar demissões


Por Reuters | 25/04/2016 17:04 - Atualizada às 25/04/2016 17:26
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Novo presidente da Anfavea, Antonio Megale quer estancar demissões que somaram mais de 10 mil somente em 2015

Lucas Lacaz Ruiz/Futura Press
Número de trabalhadores na indústria automotiva brasileira caiu 17,4% desde o fim de 2014
O setor automotivo vai defender maior flexibilização das leis trabalhistas no Brasil para evitar um número ainda maior de demissões, disse o novo presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea), Antonio Megale.

Megale, que assumiu a presidência da Anfavea nesta segunda-feira (25), disse que vai pleitear que o governo federal adote mecanismos mais perenes de manutenção do emprego, como o uso do Programa de Proteção ao Emprego (PPE) em momentos de crise e a formalização de mecanismos que garantam a supremacia de acordos entre patrões e empregados sobre leis trabalhistas.

"Estamos muito preocupados em manter o nível de emprego e evitar novas demissões, também porque temos uma mão de obra especializada é não é bom perdermos esses profissionais", disse ele a jornalistas nesta segunda-feira.

O número de trabalhadores na indústria automotiva brasileira caiu 17,4% desde o fim de 2014 até o mês passado, indo para 128,5 mil. Segundo a Anfavea, cerca de 39 mil empregados do setor estão com o contrato de trabalho temporariamente suspenso (layoff) ou protegidos pelo PPE, que permite às empresas reduzir em até 30 por cento os custos com salários em troca da manutenção do emprego.
Criado no ano passado pelo governo federal, o PPE tem duração prevista até o final deste ano.

Mesmo com a redução de pessoal, a entidade diz que o nível de ociosidade na indústria é de cerca de 50% na produção de automóveis e de 80% na de caminhões.

Um dos setores que mais se beneficiou do ciclo de crescimento da economia brasileira na década passada, a indústria automobilística tem sido também uma das que sentem mais intensamente a desaceleração do país. O setor ruma para o quarto ano consecutivo de queda nas vendas e o terceiro de recuo na produção, atingindo níveis de uma década atrás.

Otimismo para fim do ano
Para Megale, no entanto, tanto a economia do país quanto o setor podem começar a ver uma recuperação já no final deste ano, uma vez que se chegue a um desfecho da crise política.
Mas ele descartou que já estejam havendo conversas com representantes do governo da presidente Dilma Rousseff, que enfrenta um processo de impeachment, ou do vice-presidente Michel Temer para apresentar pleitos do setor.
Em outra frente, as fabricantes de veículos devem registrar um forte aumento das vendas para o exterior, favorecidas pela desvalorização do real frente ao dólar e da abertura de novos mercados internacionais.

"Já exportamos cerca de 900 mil veículos por ano e atualmente estamos em cerca de 400 mil", disse o executivo. "É óbvio que podemos crescer."

Megale citou como mercados promissores a Argentina, principal comprador estrangeiro de veículos produzidos aqui. O executivo mostrou-se confiante de que um novo acordo automotivo entre os dois países seja selado em junho, possivelmente com duração maior do que um ano.

O presidente da Anfavea também citou negociações bilaterais com países como Peru e Irã, além de conversas mais preliminares para exportação de veículos brasileiros para nações da África e da Ásia.


Em um ano, 11,2 mil demissões nas montadoras

JC LOGÍSTICA

MONTADORAS

Notícia da edição impressa de 19/05/2016.

Fábricas de automóveis brasileiras estão operando com metade da capacidade, e recuperação está prevista para um prazo de pelo menos 10 anos 

Em um ano, 11,2 mil demissões nas montadoras Fábricas de automóveis brasileiras estão operando com metade da capacidade, e recuperação está prevista para um prazo de pelo menos 10 anos CHERY/DIVULGAÇÃO/JC

 Nos últimos 12 meses, as montadoras demitiram 11,2 mil trabalhadores, 1,4 mil deles neste ano. Atualmente, há 36,5 mil funcionários no Programa de Proteção ao Emprego (PPE), com jornada e salários reduzidos, e outros 6,3 mil em lay-off (contratos suspensos), o equivalente a 32% da mão de obra do setor, de 128,4 mil pessoas. "Vai chegar um momento em que parte desse pessoal afastado será demitido", admite João Morais, economista da Tendências Consultoria, especializado no setor automotivo. 

Segundo ele, mesmo que comece a ocorrer uma recuperação do mercado no próximo ano, vai levar ao menos uma década para que o setor volte a operar com níveis mais elevados de sua capacidade produtiva. As montadoras, de acordo com cálculos da Tendências, têm capacidade para produzir cerca de 4,5 milhões de veículos e, neste ano, deve fabricar metade disso. 

"A indústria automobilística brasileira atingiu vendas de 3,8 milhões de veículos muito cedo, em 2012, mas foi um crescimento sem bases consistentes, ancorada no crédito fácil e no aumento da renda sem crescimento da produtividade", avalia Morais. Em sua opinião, o mercado vai demorar a recuperar esses níveis, e as fabricantes devem continuar operando com ociosidade por algum tempo. 

Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques, uma alternativa é o mercado externo. "As empresas devem ser mais agressivas nas exportações - buscando mercados novos - e na nacionalização de componentes." De janeiro a abril, as exportações cresceram 24,3% ante igual período de 2015, para 136,3 mil veículos, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). 

Com a drástica queda nas vendas de veículos, que, em quatro anos, despencaram de 3,8 milhões de unidades para esperadas 2 milhões neste ano, as montadoras aproveitam para rever benefícios há tempos concedidos aos funcionários, sempre tidos como os mais bem pagos na indústria brasileira. Também tentam ajustar o quadro de trabalhadores em fábricas que operam com metade da capacidade produtiva. 

Só em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, onde estão cinco das maiores fabricantes do País, há 4.170 funcionários declarados ociosos por Ford, Mercedes-Benz e Volkswagen. 

A Volvo, de Curitiba (PR), fala em 400 excedentes em seu quadro. Desde 2015, grande parte das montadoras não pagou o reajuste pela inflação aos salários. A Participação nos Lucros e Resultados (PLR) vem caindo, acompanhando o desempenho das empresas. A Volvo, que em 2013 pagou R$ 30 mil em PLR aos funcionários, em 2015 entregou R$ 12 mil e, neste ano, quer que os trabalhadores abram mão de R$ 5 mil, mesmo antes de ter negociado o valor a ser pago. "Podemos até negociar esse e outros itens, mas desde que não ocorram demissões", diz o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba, Nelson Silva de Souza. "Ocorre que a empresa quer reduzir benefícios e ainda cortar 409 vagas." 

Na semana passada, a fábrica de caminhões e ônibus parou pelo segundo dia seguido, em razão de protesto dos trabalhadores. Outro item que já aparece nas demandas de ao menos duas montadoras - Ford e General Motors, e também já citado pela Toyota - é o fim da estabilidade para trabalhadores com doenças profissionais. "Seria um grande retrocesso", diz o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques.

A Volkswagen pediu férias coletivas a quase 90% dos seus empregados em Taubaté, no interior de São Paulo, informou, na sexta-feira, o Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté. A fábrica da montadora na cidade conta com 4,5 mil funcionários, dos quais 4 mil entrarão em férias coletivas entre os dias 30 de maio e 18 de junho, se o pedido for aceito. Até os mecanismos adotados em períodos de crise, como o lay-off e o PPE - defendido no governo por empresas e sindicatos -, devem ser deixados de lado. 

Ford e Mercedes-Benz já declararam intenção de não renová-los. "Não vamos aceitar que as empresas façam uma sangria, até porque há sinais de que o mercado vai se recuperar a partir de 2017", afirma Marques. Ele diz entender que a situação atual é grave, mas acha possível administrá-la com mecanismos como PPE, lay-off e PDVs (programas de demissão voluntária). "Mas, se as empresas insistirem (em cortes), o conflito será grande." 

A Mercedes, que afirma ter 2 mil excedentes na fábrica do ABC, vai anunciar, nos próximos dias, novo plano de PDV e colocará mais um grupo de trabalhadores em licença remunerada por tempo indeterminado. A empresa já tem mais de mil operários em dispensa desde fevereiro. O PPE, que estabelece redução de jornada e salários em 20% para 8 mil trabalhadores, se encerra no fim do mês e, como não será renovado, eles voltarão a trabalhar cinco dias por semana. Hoje, trabalham quatro. 

A Toyota propôs ao Sindicato os Metalúrgicos de Campinas a contratação de trabalhadores temporários para a fábrica de Indaiatuba (SP) com piso salarial de R$ 1.870,00, embora para os contratados seja de R$ 2.194,00. Hoje, a unidade opera com horas extras. A Toyota também quer aumentar o valor pago pelos trabalhadores para o vale-transporte e o vale-refeição e adotar a coparticipação no convênio médico. "Só esses três itens representam R$ 350,00 a menos no salário do trabalhador", afirma o presidente do sindicato, Sidalino Orsi Júnior. 

Ford, Mercedes-Benz e Volvo também negociam com os sindicatos a flexibilização das relações trabalhistas e formas de compensação para manter empregos, mas não dão detalhes das propostas. - Jornal do Comércio 


Manifestação metalúrgicas/os SMABC - violência contra a mulher

Hoje pela manhã a Comissão de Metalúrgicas do nosso Sindicato iniciou uma campanha contra o feminicídio. A primeira assembleia ocorreu na Re...