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terça-feira, 4 de julho de 2017

Metalúrgicas do ABC lotam auditório para debater saúde


Evento na Regional Diadema comemorou o Dia Internacional da Mulher

Escrito por: vanessa • Publicado em: 11/03/2013cebook Twitter Google Plus
Ana Nice Martins, coordenadora da Comissão de Metalúrgicas do ABC - Foto: Paulo de Souza / SMABCAna Nice Martins, coordenadora da Comissão de Metalúrgicas do ABC - Foto: Paulo de Souza / SMABC
Mais de 500 metalúrgicas e metalúrgicos do ABC lotaram o auditório da Regional Diadema nesta sexta (8) para falar sobre a saúde da mulher, em encontro promovido pela Comissão das Metalúrgicas do ABC no Dia Internacional da Mulher.
Durante a abertura, o presidente do Sindicato, Rafael Marques, destacou a ampliação da presença feminina nas disputas eleitorais e à frente das políticas de inclusão.
??As mulheres têm mais compromisso com a família e é por isso que são titulares de programas como o Bolsa Família, de transferência de renda ou o Minha Casa, Minha Vida, de habitação?, disse. ??As mulheres gostam de boas roupas e sapatos, mas gostam mais de respeito?, concluiu.
Assédio

Na questão da saúde, a psicóloga Eliana Pintor, do Centro de Referência de Saúde do Trabalhador de São Bernardo, o Cerest, elencou uma série de questões que levam a mulher ao sofrimento no trabalho, como os assédios moral e sexual.
??A vida profissional está povoada pelos assédios moral e sexual, desde o controle de idas ao banheiro até a proibição de grávidas se sentaram durante a jornada de trabalho?, afirmou.
Segundo Eliana, as mulheres, de uma maneira geral, vivem em conflito entre a família e o trabalho. ??Cansamos de ouvir depoimentos no Cerest de mulheres que lavaram roupas até às 2 horas da manhã e foram para a fábrica às 5h?, relatou.
Para a psicóloga, as mulheres precisam se libertar das ditaduras da moda e da beleza, impostas pelo mercado, que buscam alimentar o consumo e nada tem a ver com a felicidade.
??Não podemos mais envelhecer. Essa postura é muito perigosa, por que as mulheres estão morrendo nas mesas de cirurgia de lipoaspiração?, alertou.
??Não podemos ser inimigas de nós mesmas. Ao invés de terminarmos o dia pensando no que deixamos de fazer, vamos lembrar o que fizemos?, finalizou Eliana.
Direito à saúde
A diretora do Departamento de Atenção Especializada da Secretaria Municipal da Saúde de São Bernardo, Débora do Carmo, também convidada para o debate na Regional, lembrou as companheiras da importância da participação nos processos políticos como forma de garantir seus direitos à saúde. ??Não queremos ser iguais, queremos tratamentos iguais?, disse.
A diretora chamou a atenção da companheirada para exigir um atendimento digno para cuidar da saúde, sem violência ou agressões.
??As mulheres têm o direito de saber tudo sobre os procedimentos médicos, durante os seus exames ginecológicos, por exemplo?, destacou. E completou, ??A mulher precisa autorizar qualquer procedimento em seu corpo?.
No encerramento do debate, a coordenadora da Comissão de Metalúrgicas do ABC, Ana Nice Martins de Carvalho, destacou a necessidade de a mulher ter equiparação salarial aos homens para conquistar os seus direitos.
??As mulheres estudam mais, se dedicam mais e, mesmo assim, ganham menos que os homens?, lembrou a dirigente.
??Precisamos garantir a igualdade de salários para que as mulheres possam ter autonomia financeira para conquistar mais qualidade para suas vidas?, disse Ana Nice.
Cartilha

A Comissão de Metalúrgicas do ABC lançaram durante o encontro uma cartilha com os direitos conquistados pelas trabalhadoras, que será distribuída nas fábricas da base.
Para terminar o encontro do Dia Internacional da Mulher, o presidente do Sindicato, Rafael Marques, e o diretor de Administração, Teonílio Monteiro da Costa, o Barba, assinaram uma carta-compromisso com a campanha do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, UNA-SE pelo fim da violência contra mulher.

Disponívem em: http://www.cutsp.org.br/noticias/metalurgicas-do-abc-lotam-auditorio-para-debater-saude-48dd/

domingo, 2 de julho de 2017

Igualdade salarial no ramo metalúrgico só acontecerá em 74 anos, revela Dieese

DIA DAS MULHERES
Quarta-feira, 08 de Março de 2017 
Assessoria da CNM/CUT

858, imprensa, CNM/CUT
A remuneração média mensal das mulheres é R$ 868,28 menor que a dos homens




A persistir os atuais mecanismos de remuneração de homens e mulheres da categoria metalúrgica no Brasil, a histórica reivindicação de igualdade salarial só vai acontecer em 2091, ou seja, daqui a 74 anos.

É o que revela o estudo “A Inserção das Mulheres no Ramo Metalúrgico: uma década de avanços, desigualdades e lutas”, elaborado pela Subseção do Dieese da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) e da Federação Estadual dos Metalúrgicos da CUT/SP (FEM-CUT/SP).

Divulgado nesta quarta-feira (8), Dia Internacional da Mulher, o levantamento comparou os níveis de emprego e salário das trabalhadoras metalúrgicas em 2006 e 2015 (último ano com dados disponibilizados pelo Ministério do Trabalho).
De acordo com o estudo, embora tenha caído, a diferença salarial entre homens e mulheres da categoria ficou em 25,3% em 2015 (em 2006, era de 28,18%). Isso significa que, ao se levar em conta o salário médio mensal por gênero, as metalúrgicas trabalham 92 dias de graça ao ano (a remuneração média mensal delas é R$ 868,28 menor que a dos homens).

“O que acontece com as mulheres na nossa categoria mostra que o mercado de trabalho ainda é perverso e discrimina. Elas têm a mesma jornada nas fábricas que os homens, ganham menos e ainda trabalham mais em casa”, assinala Marli Melo, secretária de Mulheres da CNM/CUT.

Ela lembra que, no geral, as mulheres trabalham 5,4 horas a mais na semana que os homens, com os afazeres domésticos e o cuidado com a família. “Não bastasse essa realidade, agora o governo golpista quer aumentar a idade da aposentadoria das mulheres de 60 para 65 anos”, ressalta a sindicalista, referindo-se à reforma da Previdência enviada por Michel Temer ao Congresso.

Ainda sobre o impacto da reforma sobre as trabalhadoras, Marli lembra que as mulheres são as mais afetadas pelo desemprego (o que as afasta do mercado de trabalho e, portanto, de períodos de contribuição previdenciária) e também acabam recebendo proventos menores que os dos homens na aposentadoria. “Por isso, nossa luta contra essa reforma tem de crescer cada dia mais”, completa.

Presença feminina na categoria
O levantamento da Subseção do Dieese aponta que em dezembro 2015, dos 2.061.368 postos de trabalho no ramo, menos de um quinto eram de mulheres (387.725), segundo os dados apurados junto à Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) do Ministério do Trabalho (MT). Em percentuais, as metalúrgicas ocupam 18,8% dos empregos no ramo. Em relação a 2006, houve crescimento de 3,3% da presença feminina no ramo.
Desemprego e rotatividade
O estudo revela ainda que o impacto da crise político-econômico é maior entre as trabalhadoras. Do total de desempregados no país em dezembro de 2015, as mulheres representavam 54,1%.
O Dieese avalia também o impacto da rotatividade de mão de obra sobre a remuneração de homens e mulheres na indústria metalúrgica. Prática comum do empresariado para rebaixar salários, em vários segmentos do ramo as mulheres são mais prejudicadas nesta situação. “Em relação aos segmentos, as maiores diferenças entre o salário dos admitidos estão no automotivo e eletroeletrônico: as mulheres entram ganhando em média 18,9% e 18,2%, respectivamente, a menos que os homens, lembrando que elas estão concentradas no segmento eletroeletrônico (32,41% delas estão nesse segmento)”, diz o estudo.
Nas demissões, o levantamento comprova a diferença salarial: “No caso, observa-se que mesmo tendo igual tempo de ‘casa’, as mulheres saem com salários inferiores ao dos homens. Ou seja, isso mostra que elas não conseguem atingir o mesmo salário que os homens, com o mesmo tempo de serviço. A diferença existe para qualquer faixa, chegando a 24,2% para trabalhadores e trabalhadoras com 3 a 5 anos de tempo de serviço”.

Subsídios
Para a secretária de Mulheres da Confederação, o estudo da Subseção do Dieese é um importante instrumento para a ação sindical da categoria metalúrgica. “Ele traz parâmetros concretos para nossa luta contra a desigualdade salarial e por oportunidades no mercado de trabalho. Traz também subsídios para a nossa luta contra a reforma da Previdência e por políticas públicas que de fato contribuam e estimulem a equidade de gênero no Brasil”, conclui Marli Melo.
O estudo completo “A Inserção das Mulheres no Ramo Metalúrgico: uma década de avanços, desigualdades e lutas” pode ser acessado aqui.

Disponível em: https://www.smetal.org.br/imprensa/igualdade-salarial-no-ramo-metalurgico-so-acontecera-em-74-anos-revela-dieese/20170308-114852-m574

sábado, 1 de julho de 2017

Metalúrgicas querem mais espaço nas fábricas

Segundo dados do Sindicato, as mulheres representam 30% do total da categoria em Santo André e Mauá

Publicado em 12/03/2015 08h22
Última atualização em 12/03/2015 08h22




Metalúrgicas querem  mais espaço nas fábricas
Diretora do Sindicato conta que há preconceito nas metalúrgicas - FOTO: Arquivo Pessoal

















VINÍCIUS MARQUES
Especial para o Rudge Ramos Jornal*
Um setor composto em maior parte por homens e por atividades consideradas masculinas. De forma lenta, a presença das mulheres no ramo metalúrgico está crescendo, porém, elas ainda lutam por mais espaço.

Do chão da fábrica à diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá, Andreia Cunha, esteve sempre envolvida com a causa. Em 2005, ela passou a fazer parte das mulheres que atuam em metalúrgicas.

A diretora conta que quando atuava como auxiliar de expedição em uma metalúrgica em Mauá, havia muitas mulheres no setor, mas diz que ainda há preconceito. “É uma questão cultural. Precisamos lutar contra atitudes machistas, estudando e trabalhando”.
Segundo dados do Sindicato, as mulheres representam 30% do total da categoria nas duas cidades do ABC. No Brasil, desde 2003, a presença de mulheres no setor cresceu 4,11% até 2013, representando 19,03% do total de trabalhadores metalúrgicos no país, segundo pesquisa da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) e do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), ambos do Ministério do Trabalho.

As lutas em portas de fábricas e a participação feminina têm contribuído para esse aumento, segundo a coordenadora do Departamento de Mulher do Sindicato, Denise Moreira. “Hoje, elas investem nesse processo, estão fazendo cursos, entrando nas fábricas e mostra quetêm competência.”

Desigualdade

O salário inferior ao do homem é um dos problemas enfrentado pelas mulheres no setor metalúrgico, assim como em outras profissões. Em média, a mulher recebe 28,79% a menos que o homem neste setor, no Brasil.

Denise Moreira diz que os sindicatos e as mulheres estão buscando igualdade e oportunidade. “A igualdade ainda está longe. Não queremos ganhar mais ou menos, mas sim valorização.”

A maior diferença entre as remunerações encontra-se no setor eletroeletrônico – que concentra o maior número de mulheres, cerca 36% –, no qual elas chegam a receber em média 37,52% menos que o homem.

Depois do eletroeletrônico, o setor que mais tem mulheres é o automotivo (17,99%), seguido pelo aeroespacial (15,10%). A produção no setor naval é o que menos possui o gênero feminino trabalhando (8,88%).

Disponível em: http://www.metodista.br/rronline/rrjornal/metalurgicas-querem-mais-espaco-nas-fabricas

Mulheres metalúrgicas debatem reivindicações

Publicado em domingo, 13 de agosto de 2006 
William Glauber
Do Diário do Grande ABC
Mulheres metalúrgicas se reuniram sábado na subsede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (filiado à CUT), em Diadema, para discutir questões delas para elas. Na maioria mães de família com dupla jornada, cerca de cem trabalhadoras aproveitaram a tarde de sol do sábado para debater reivindicações imediatas e específicas das mulheres, como avanço no auxílio-creche e a participação feminina no movimento sindical da categoria.
A principal bandeira do encontro é a melhoria do auxílio-creche na categoria com parte significativa da base em São Bernardo e Diadema. Hoje, as mulheres têm direito ao benefício por um ano e as empresas arcam com 10% a 20% do piso salarial sobre o valor da mensalidade da creche. Para elas, a concessão dos patrões tem de aumentar.
Tendo como referência cláusulas de convenções coletivas de categorias como bancários e químicos, as metalúrgicas querem novas conquistas. As bancárias, por exemplo, têm direito ao benefício por seis anos e as trabalhadoras do ramo químico garantem o auxílio-creche por dois anos. Com a ampliação do auxílio às metalúrgicas do Grande ABC, 12 mil mulheres podem se beneficiar.
Segundo a diretora do Sindicato, Michelle da Silva, a luta pelo auxílio-creche vem de longa data no movimento sindical. "É uma bandeira de 1978 e já avançamos bastante nas convenções. Esse encontro tem também o objetivo de descobrir outros desejos das metalúrgicas e sensibilizá-las também na luta sindical."
Para combater as formas de preconceito, Michelle diz que a união das mulheres na luta por direitos é fundamental. "Ainda existe grande pressão sobre as mulheres. Por serem responsáveis pelos filhos e muitas vezes pela casa, as mulheres têm mais medo de se expor", explica a sindicalista.
Há três anos como operária da Volkswagen do Brasil, a líder sindical conta que, no início da militância, encontrou resistência principalmente por parte dos trabalhadores mais velhos. "A gente tem a missão de desconstruir isso aos poucos no ambiente de trabalho", conta Michelle, que puxa assembléia, organiza mobilizações e atua no dia-a-dia no chão de fábrica.

Disponível em: http://www.dgabc.com.br/(X(1)S(gple5n2bdfkmvatfhjnucm2))/Noticia/317079/mulheres-metalurgicas-debatem-reivindicacoes

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Metalúrgicas do ABC querem aumentar presença de mulheres no mercado de trabalho

PERFIL
Na base do sindicato da categoria, que abriu congresso nesta quinta, 15% são mulheres. Em 1998, eram 12%. Elas também defendem políticas públicas para as trabalhadoras, como a extensão da licença-maternidade
por Viviane Claudino, da RBA publicado 03/04/2014 20h14
CUT
metalúrgicas
"Ainda há a crença de que o trabalho nas metalúrgicas é pesado para as mulheres", afirma sindicalista
São Paulo – Discutir a inserção das mulheres no mercado de trabalho, ampliar a participação da mão de obra feminina e defender políticas públicas são temas do terceiro congresso das metalúrgicas do ABC, aberto na noite de hoje (3) em São Bernardo do Campo. Na base do sindicato, que inclui quatro dos sete municípios da região, as metalúrgicas somam 15,2% da categoria, segundo o Dieese, o que representa 15,3 mil trabalhadores. Em 1998, as mulheres representavam 12,4%.
Para a diretora-executiva do sindicato Ana Nice Martins de Carvalho, coordenadora da Comissão das Metalúrgicas do ABC e funcionária da Panex, apesar do aumento no percentual ainda há resistência do setor patronal para a contratação de mulheres. "Culturalmente, ainda há essa divisão de gênero, e a crença de que o trabalho nas metalúrgicas é pesado para as mulheres. No setor de eletroeletrônico e autopeças, por exemplo, encontramos bastante mulheres trabalhando, pois são funções que exigem o manuseio de peças pequenas e entende-se que as mulheres são mais delicadas para isso."
Além de menor participação no mercado, as mulheres recebem menor remuneração – o valor é 30% mais baixo em relação aos homens, embora o estudo aponte que a média salarial das metalúrgicas no ABC é 70% maior comparado ao restante do país. “Esse distanciamento se dá porque o ABC é o polo industrial que concentra muitas áreas técnicas e especializadas das montadoras, onde a remuneração é mais alta”, avalia a coordenadora.
Entre os avanços, ela destaca a implementação da licença-maternidade de 180 dias. "Temos praticamente 100% das empresas da base com a licença de 180 dias. Nossa luta agora é para que essa conquista chegue a todas as trabalhadoras do país. Por isso defendemos a aprovação da PEC (Proposta de Emenda Constitucional), que está na Câmara e garante esse benefício a todas as trabalhadoras."
Pesquisa divulgada em julho de 2011, sobre o perfil do metalúrgico do ABC, mostra que das pouco mais de 15 mil mulheres na base, quase metade (47%) estava no setor automobilístico, sendo 16,7% em montadoras e 30,2% em empresas de autopeças. Outras 23% ficavam no segmento de metalurgia básica, 12% em máquinas e equipamentos e 14% em fabricantes de eletroeletrônicos. Das montadoras na base do sindicato (Volkswagen, Ford, Mercedes-Benz, Scania e Toyota), que concentram aproximadamente 30 mil trabalhadores, 8,6% são mulheres.
Entre as cidades da base, Diadema tinha maior participação de mulheres, que representavam 20% do total. Em seguida, vinham Ribeirão Pires, com 18% dos postos de trabalho ocupados por mulheres, Rio Grande da Serra (13%) e São Bernardo (12%).
O congresso vai até sábado. Nesta sexta (4) pela manhã, haverá uma palestra da empresária Luiza Trajano.

Disponível em: http://www.redebrasilatual.com.br/trabalho/2014/04/metalurgicas-do-abc-querem-aumentar-a-participacao-das-mulheres-no-mercado-de-trabalho-4256.html

Com aprovação de carta, Congresso é encerrado

2º Congresso das Mulheres Metalúrgicas terminou no início da tarde deste sábado, 27, com aprovação das diretrizes que Sindicato vai incorporar em suas ações.

As reivindicações específicas das mulheres vão ganhar mais espaço na agenda do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Um conjunto de 8 diretrizes foi aprovado pelas 422 delegadas e 67 delegados no encerramento do 2º Congresso das Mulheres Metalúrgicas.

Intitulada Carta do 2º Congresso, o documento aponta para reivindicações que valorizem o trabalho e o salário das mulheres,  a maior participação delas nas instâncias de representação sindical e na categoria, e cria encontros anuais às trabalhadoras (veja íntegra abaixo). A carta também lança oficialmente a campanha Da licença, eu quero 180, pela ampliação da licença maternidade de 120 para 180 dias.

"É um documento para virar realidade", afirmou Sérgio Nobre, presidente do Sindicato,  assumindo o compromisso de tornar reivindicações as oito diretrizes.

Aberto na noite de quinta-feira, 25, com as presenças do presidente Lula, e das ministras Dilma Rousseff, Casa Civil, e Nilceia Feire, da secretaria de Mulheres do governo Federal, o 2º Congresso contou com conferências, debates e oficinas temáticas. "Abrimos o maior espaço possível para a expressão das companheiras. Elas começaram a perceber que o Sindicato é de fato um local também para as mulheres", acrescentou Simone Vieira, coordenadora da Comissão das Mulheres Metalúrgicas.

Leia a cobertura completa do Congresso na edição da terça-feira da Tribuna Metalúrgica.


Mesa de encerramento do congresso que votou diretrizes para as metalúrgicas



Carta-Compromisso do 2◦ Congresso de Mulheres Metalúrgicas do ABC

Nós, delegadas e delegados do 2◦ Congresso das Mulheres Metalúrgicas do ABC, realizado no período de 25 a 27 de março de 2010, reiteramos as resoluções do 1◦ Congresso da Mulher Metalúrgica de São Bernardo do Campo e Diadema, hoje ABC, em 1978, e do 6◦ Congresso dos Metalúrgicos do ABC, em 2009.

É importante ressaltar que o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC tem em sua base 97,4 mil trabalhadores, as mulheres representam 14% da categoria e são cada vez mais jovens: 38,4% têm até 29 anos.  A maioria das trabalhadoras está empregada nas indústrias de autopeças e é horista. Nas montadoras, porém, grande parte é mensalista. Por terem baixo acesso as funções de maior remuneração e de chefia, e também às promoções, o salário médio das mulheres é 33% inferior ao dos homens. Quanto à escolaridade constata-se que 53% concluíram o ensino médio e 13% têm nível superior.

Nas últimas décadas, toda a categoria obteve conquistas históricas. No entanto, o sindicato deve levar adiante a responsabilidade de fortalecer a atuação das metalúrgicas visando a melhoria das condições de trabalho, e, o aumento da participação política.

Este é o momento ideal. O país combina desenvolvimento econômico, distribuição de renda e justiça social e a Região do ABC retoma sua agenda institucional, reforçando as pautas de trabalho decente e inclusão social. Este cenário favorável torna mais do que oportuno o fortalecimento da diretriz: Lugar de Mulher também é no Sindicato!

Nesse sentido, nós - 503 delegados (435 mulheres e 67 homens) - propomos à executiva do sindicato o desenvolvimento das seguintes medidas:   

·        criar condições para promover a igualdade de condições de trabalho e de salários entre mulheres e homens, por meio do estímulo e da negociação de medidas de ações afirmativas nas empresas; 
·        estimular e monitorar o desenvolvimento de políticas públicas voltadas às mulheres e relacionadas com as questões de raça, juventude e pessoas com deficiência, na Região do ABC e nas três instâncias de governo;
·        atuar de maneira conjunta com os demais movimentos sociais para fortalecer o reconhecimento da diversidade na sociedade e das reivindicações das mulheres, incluindo essas questões nas pautas que visam melhoria da qualidade de vida para toda a sociedade;  
·        organizar atividades de formação para as mulheres, e, incluir as questões de gênero nas ações formativas. Os objetivos são os de ampliar a participação das mulheres na vida política e sensibilizar os homens para defenderem os direitos das mulheres.
·        desenvolver ações para ampliar a participação de mulheres na categoria, por meio da sindicalização; dos Comitês Sindicais de Empresa; da aplicação das cotas de participação em todas as instâncias do sindicato; e da participação no Coletivo de Mulheres e nos de Juventude, Pessoas com Deficiência e Igualdade Racial;
·        desenvolver a Campanha: Da licença, queremos 180 pela adesão das empresas ao Programa Empresa Cidadã, que prevê a ampliação da Licença Maternidade de 120 para 180 dias;
·        buscar o aumento do número de mulheres na categoria e em postos de trabalho mais valorizados tendo como meta resultados expressivos até a realização do 3◦ Congresso das Mulheres Metalúrgicas do ABC, em 2013;
·         Finalizando, indicamos a realização de congressos das mulheres metalúrgicas do ABC a cada três anos, precedidos de encontros anuais, visando realizar o balanço das ações e traçar novas diretrizes. 

São Bernardo do Campo, 27 de março de 2010.

3º Congresso das Metalúrgicas do ABC termina com recorde de inscrições

8 de Abril de 2014 | 
Com cerca de 700 inscrições, a participa­ção das companheiras no 3º Congresso das Metalúrgicas do ABC, na semana passada, foi recorde.

“O resultado é fruto de um trabalho que começou no debate com representantes de Recursos Humanos para a liberação das trabalhadoras”, contou a diretora executiva e coordenadora da Co­missão das Metalúrgi­cas do ABC, Ana Nice Martins de Carvalho.

Segundo ela, as che­fias precisam entender a importância deste processo de inclusão e contribuir para a inser­ção das mulheres nos debates.

“Assim como o Sin­dicato cumpre seu pa­pel cidadão na luta pela igualdade de direitos entre homens e mulhe­res, os patrões também têm responsabilidade social e cobramos isso deles”, destacou Ana Nice.


Estrutura

Para a dirigente, o Sindicato teve sensibi­lidade de entender que ampliar a participação das mulheres passa por oferecer espaço ade­quado para os filhos das trabalhadoras.

“Recebemos mais de cem inscrições de crianças e tivemos a ousadia de criar um espaço com conforto e segurança para to­das elas”, explicou Ana Nice.

“Lutamos por uma escola pública de qua­lidade, pelo direito à creche, por ensino in­tegral e provamos que é possível fazer, como fizemos durante o 3º Congresso”, prosseguiu.

“Esse espaço ade­quado que criamos para as crianças trouxe mais mulheres para a entidade e garantiu a presença delas na política sindical”, co­memorou a coordena­dora da Comissão das Metalúrgicas do ABC.


Emancipação

“O Sindicato sempre debateu a questão da mulher, mesmo reconhecendo que a categoria é em sua maioria composta por homens”, disse o presidente do Sindicato Rafael Marques, no encerramento do 3º Congresso.

“Contribuir para a emancipação da mulher e para ampliar a participação das metalúrgicas do ABC é tarefa que não vamos abrir mão”, finalizou o presidente.


Presidente do Magazine Luiza aprova CSEs

Durante palestra sobre o Protagonismo e a liderança da mulher no mundo do trabalho, da política e da economia, a empresária Luiza Trajano, presidente do Magazine Luiza, elogiou o modelo de organização do Sindicato.

“A organização dos trabalhadores em Comitês nas empresas é importante para modernizar as relações de trabalho”, declarou Luiza Trajano, na última sexta-feira no 3º Congresso das Metalúrgicas do ABC.

Segundo ela, as lojas que administra também adotam representação semelhante à dos metalúrgicos do ABC.
“Cada loja tem um conselho de trabalhadores e tudo é negociado com o líder”, explicou. “Assim podemos resolver os problemas específicos de acordo com a realidade de cada unidade”, defendeu a empresária.


Pelo Brasil
Luiza Trajano empolgou o plenário com seu otimismo e amor pelo Brasil. “Temos que valorizar as coisas boas que o nosso País tem e acreditar na força transformadora da mulher”, disse. “Chegou o nosso momento”, finalizou.


"Tema da mulher é prioridade", diz Padilha

O ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou durante o debate Mulheres e sociedade – que projeto queremos? que o tema relativos às mulheres devem ser prioridade em qualquer governo.

“O Estado de São Paulo, exemplo em tantos setores, não consegue ter uma ação política em defesa dos direitos das mulheres”, criticou, no encerramento do 3º Congresso das Metalúrgicas do ABC.

Para ele, é papel do governo do Estado criar mecanismos de interlocução entre as políticas do governo federal e os projetos dos municípios.

"O Estado pode ter uma ação concreta para combater a violência, abrindo as delegacias da mulher 24 horas por dia”, afirmou Padilha.


Preconceito
O diretor Administrativo do Sindicato, Teonílio Monteiro da Costa, o Barba, afirmou que a postura do atual governo do Estado de São Paulo é baseada no preconceito das elites contra a classe trabalhadora.

"Essa falta de diálogo com os movimentos de mulheres é típica daqueles que acham que nós só temos que cuidar da produção da riqueza e limpar suas casas", concluiu Barba.


“Eu curto ser metalúrgica do ABC”

Inspiradas em João Ferrador, personagem símbolo da categoria nas décadas de 70 e 80, as metalúrgicas do ABC anunciaram no encerramento do 3º Congresso o projeto Eu curto ser metalúrgica do ABC. O objetivo é criar uma nova personagem símbolo, mas que tenha identidade com as mulheres e a missão de estreitar os laços das metalúrgicas do ABC dentro e fora da base.

Plano de Lutas

Conheça algumas das propostas aprovadas no 3º Congresso
• Ampliar e fortale­cer a luta pelo aumen­to de contratações de mulheres nas fábricas da categoria.
• Fortalecer a luta, dentro das fábricas, pela ascensão das me­talúrgicas para fun­ções de chefias e/ou cargos de lideranças.
• Garantir a licença maternidade de 180 dias para todas as tra­balhadoras da base.
• Lutar pelo au­mento do Auxílio Cre­che em todos os acor­dos e convenções.
• Fortalecer a luta pela creche.
• O Sindicato deve promover atividades de formação para homens e mulheres da categoria debater as questões de gênero.
• Lutar, para garan­tir, em convenção cole­tiva, o abono do dia de trabalho para as traba­lhadoras e trabalhado­res que acompanham pais idosos e/ou fi­lhos/as em consultas médicas.
• Promover ativi­dades culturais para estimular a convivên­cia e a participação na vida do Sindicato.
• Buscar garantir a realização de campeo­natos anuais de Futsal Feminino

Com berçário, sala de jogos, brinquedoteca, sala de vídeo, espaço da pintura artística e escultura, a creche montada para o 3º Congresso recebeu média diária de 85 crianças até 11 anos.

Contribuições para o debate

“Há espaço para aumentar a participação das mulheres no mercado de trabalho e ampliar sua formalização”.
Lucineide Soares, presidente da Confederação Nacional do Ramo Químico da CUT.

“Na média, a metalúrgica cutista recebe 33,27% a menos que o homem”.
Marli do Nascimento, secretária da Mulher da CNM-CUT.~

“A creche é determinante para garantir a participação das mulheres”.
Rosane Silva, secretária da Mulher da CUT Nacional.

“O Sindicato é fundamental para o avanço nas relações trabalhistas e garantia dos direitos das mulheres”.
Edna Roland, coordenadora de Implementação de Políticas de Igualdade Racial de Guarulhos

“Em setores da sociedade as mulheres são tratadas como no século 19. Por isso movimentos como esses são fundamentais”.
João Gustavo Negrão, da Prefeitura de São Bernardo


Com berçário, sala de jogos, brinquedoteca, sala de vídeo, espaço da pintura artística e escultura, a creche montada para o 3º Congresso recebeu média diária de 85 crianças até 11 anos.

Da Redação 

Disponível em: http://www.smabc.org.br/smabc/materia.asp?id_CON=34743&id_SUN=78

Metalúrgicas do ABC publicam revista para denunciar violência contra mulher

MOBILIZAÇÃO
Publicação produzida pela Comissão das Mulheres Metalúrgicas do ABC chama a atenção da categoria para a violência de gênero no país
por Redação RBA publicado 26/08/2016 09h53, última modificação 26/08/2016 19h07
TVT/REPRODUÇÃO
revista metalúrgicas.jpg
Edição tem 15 mil exemplares e é distribuída pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC nas fábricas da região
São Paulo – A Comissão de Mulheres Metalúrgicas do ABC lançou nesta semana revista temática sobre o alto índice de violência de gênero. Além de apresentar números alarmantes sobre casos de estupro no país, a edição traz reportagens que denunciam o machismo e também o racismo como causas de agressões e mortes de mulheres todos os anos no Brasil.
A edição tem 15 mil exemplares e é distribuída pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC nas fábricas da região. "É para a nossa categoria, para levarem para casa e refletirem sobre o que está ocorrendo", diz a coordenadora da comissão, Maria do Amparo Ramos, em reportagem da TVT.
Flávia Bigai, da Marcha Mundial das Mulheres do ABC, elogiou a iniciativa. Para ela, é uma resposta de um setor da sociedade que ajuda a dar mais visibilidade ao tema. A revista também traz o histórico de organização das mulheres dentro da categoria e aponta para a importância de levar mais mulheres para a política em defesa das pautas femininas.
Atualmente, nenhum dos sete municípios do ABC é governado por mulheres, e somente dez das 142 vagas nas câmaras municipais são ocupadas por parlamentares do sexo feminino.

Disponível em: http://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2016/08/violencia-mulheres-metalurgicas-do-abc-publicam-revista-para-denunciar-violencia-contra-mulher-7565.html

Salário de metalúrgicas do ABC é maior que de outras regiões, mostra Dieese

por Redação da RBA publicado , última modificação 23/03/2010 20h06
São Paulo - Estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), divulgado nesta terça-feira (23) pelo presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre, aponta que o salário das mulheres da base da entidade é, em média, 53% maior que o das trabalhadoras da categoria no Brasil e 30% superior ao das trabalhadoras no mesmo setor na capital paulista.
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De acordo com o Dieese, as metalúrgicas do ABC (SP) ganham, em média, R$ 2.326,44 mensais. O salário médio das trabalhadoras do setor no Brasil é de R$ 1.516,32 e no estado de São Paulo é de R$ 1.796,31. O salário das mulheres da categoria é superior inclusive ao dos metalúrgicos do país, que tem rendimento médio de R$ 2.207,21.
Perfil
As metalúrgicas representam 14% da categoria no ABC. São 13,7 mil em um universo de 97,4 mil trabalhadores. Embora São Bernardo do Campo seja a cidade com maior número de trabalhadoras, 7,4 mil, a cidade de Diadema possui o maior percentual de mulheres entre os trabalhadores do setor, com 18%.
A pesquisa também revelou que 71,6% das trabalhadoras têm entre 24 e 39 anos, 51% são horistas, 29,4% estão no subsetor de autopeças e 52,7% concluíram o ensino médio. Em 1996, 18,8% das metalúrgicas haviam terminado o ensino médio. De 1996 a 2008, o número de trabalhadoras com ensino superior também aumentou passando de 5,5% para 12,9%.
Nas montadoras, onde a maioria das trabalhadoras é mensalista, quase 60% das metalúrgicas concluíram o ensino superior e 42% o ensino médio, superando a formação dos metalúrgicos nos dois níveis.
O estudo faz parte do perfil das trabalhadoras elaborado pela subseção do Dieese, especialmente para o 2° Congresso das Mulheres Metalúrgicas do ABC, com início na quinta-feira (25). Segundo Nobre, os dados ajudarão nas ações sindicais especificamente voltadas à metalúrgica.


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